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Escolha de Carlos Decotelli para o MEC causa desconfiança na ala ideológica do governo

Na tarde desta quinta-feira (25), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) anunciou que o professor Carlos Decotelli é o novo ministro da Educação. O site da BBC News Brasil ouviu fontes ligadas ao Palácio do Planalto e analisou como a entrada de Decotelli influenciará o Governo Bolsonaro.A entrada de Decotelli acarretará uma mudança na estratégia…

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Escolha de Carlos Decotelli para o MEC causa desconfiança na ala ideológica do governo

Na tarde desta quinta-feira (25), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) anunciou que o professor Carlos Decotelli é o novo ministro da Educação. O site da BBC News Brasil ouviu fontes ligadas ao Palácio do Planalto e analisou como a entrada de Decotelli influenciará o Governo Bolsonaro.

A entrada de Decotelli acarretará uma mudança na estratégia política do atual governo, pois dessa maneira, o grupo ideológico ligado ao escritor Olavo de Carvalho acaba perdendo espaço. Decotelli foi uma indicação da ala moderada dos militares que estão no governo.

Saída de Weintraub

Com a saída do ex-ministro da Educação Abraham Weintraub, oficialmente exonerado no sábado (20), os chamados “olavistas” perdem controle sobre um dos principais ministérios do governo, que tem um orçamento de R$ 141,8 bilhões para este ano.

Os seguidores de Olavo de Carvalho no governo têm ainda o ministério das Relações Exteriores, com o olavista Ernesto Araújo. Apesar de sua importância, o Itamaraty controla pouco mais de R$ 4 bilhões no orçamento de 2020.

Escolha de Decotelli causa surpresa

A escolha do presidente Bolsonaro para o comando da Educação foi anunciada pelas redes sociais e pegou de surpresa até mesmo a cúpula do MEC. A pasta ignorava que Carlos Decotelli pudesse ser uma opção para o cargo. Estavam cotados para o cargo: Sérgio Sant’Ana (assessor especial do MEC), Carlos Nadalim (secretário de Alfabetização do MEC) e Antônio Paulo Vogel de Medeiros, que assumiu interinamente a Educação após a saída de Abraham Weintraub.

Nos últimos dias, estava circulando também o nome de Renato Feder, atual secretário de Educação do Paraná. Um secretário do MEC declarou à BBC News Brasil, de forma anônima, que não se lembra de ter ouvido o nome de Decotelli ser cogitado por ninguém de dentro do MEC.

De acordo com assessores que trabalham no Palácio do Planalto, o nome de Decotelli teria chegado ao líder do Executivo por intermédio do almirante Flávio Augusto Viana Rocha, titular da Secretaria Especial de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República —assim como Flávio Augusto, Carlos Decotelli é ligado à Marinha.

Decotelli e Augusto Aras têm bom relacionamento

Pessoas que conhecem o novo ministro da Educação garantem que ele possui uma boa relação com o procurador-geral da República, Augusto Aras. Carlos Decotelli tem um perfil mais moderado que o de seu predecessor, ele é um acadêmico e é o primeiro ministro negro do governo de Jair Bolsonaro.

Reações à escolha de Decotelli

Se por um lado a escolha do oficial da reserva da Marinha tem agradado por seu perfil mais moderado, a ala ideológica do governo não viu com bons olhos a chegada de Decotelli ao comando da pasta. Carlos Nadalim, secretário de Alfabetização do MEC, é considerado o principal seguidor de Olavo de Carvalho na cúpula do MEC. Quando da saída de Weintraub, Nadalim foi cogitado para assumir o cargo.

Nesta quinta-feira (25), a BBC News Brasil fez perguntas para o secretário de Alfabetização do MEC sobre o que ele achava da entrada do novo escolhido de Bolsonaro para comandar a Educação. Irritado, ele pediu para que o site ligasse para o próprio presidente e para Decotelli.

Apoiadores de Bolsonaro não entenderam escolha

A pastora Jane Silva, que já foi secretária interina da Cultura, afirmou que alguns dos apoiadores de Bolsonaro não entenderam a escolha do presidente. Ela afirmou que os conservadores estão assustados e que o presidente Bolsonaro começa a perder força.

A pastora chegou até mesmo a levantar a hipótese de que são os militares que estão no comando do governo e que o presidente só acata as determinações deles. Ela afirma não ter certeza se o novo titular da pasta seria no nome ideal para o cargo. Para ela, o presidente deveria ter mantido Abraham Weintraub como ministro da Educação.

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